Um carrinho repleto de Paris
Acabo de sair da faculdade, por volta das 17h, no sábado, dia 11 de setembro de 2010, para encontrar meu entrevistado e realizar o trabalho em questão. No caminho até chegar ao bairro em que meu entrevistado trabalha, vou refletindo e vários pensamentos vêm à tona. Essa data foi marcada pela tragédia do atentado terrorista que destruiu as torres gêmeas, nos EUA. Contudo, a questão que pretendo abordar, trata-se da história de Marcos Pereira de Souza Cruz, de 11 anos de idade, uma criança simples, mas com um carrinho de picolé cheio de sonhos.
No começo da conversa, pergunto a Marcos se ele prefere que eu grave ou escreva. Ele não liga, então, para deixá-lo à vontade, sento na calçada com um caderno e caneta e começo nossa entrevista que mais parecia uma conversa.
Marcos nasceu em Jaboticabal - SP e há dois anos está morando em Frutal, MG. Está cursando a 5 série e a matéria que mais gosta é Português. Como toda criança, gosta de brincar e na hora do lazer, gosta de computador e soltar pipa. Foi voltando para a casa na hora do almoço, no sol bem quente, que avistei Marcos, quando ouvi um apito e perguntei se ele poderia me conceder uma entrevista para um trabalho da universidade. Quando parei o carro, ele me perguntou: “Picolé moça?” Respondi que não, “obrigada”, mas perguntei se ele poderia me ajudar em um trabalho. Depois de explicar como seria feito, ele me ofereceu seu celular para marcarmos o encontro. Liguei e fiquei esperando no local combinado.
Como já havia dito fazia calor. Uma das primeiras reflexões que veio à minha mente foi voltar aos meus 11 anos e lembrar que tive uma infância sadia, com muitas brincadeiras em casa, na escola, com os amigos. Não trabalhei como Marcos, embaixo do sol quente, tão pouco tive que andar horas e horas para vender picolés. Perguntei ao menino se ele gostava do que fazia ou se tinha alguma reclamação a fazer. Ele disse que não, que já acostumou-se com o sol, porém havia dias que a caminhada era longa, mas o resto ele não tinha do que reclamar.
Quanto ao dinheiro que ganha com o carrinho, ele me disse que está juntado. Ainda não sabe o que vai comprar, mas não gastou nada! Marcos mora com a mãe, Marlete Gonçalves, e o irmão mais velho Elias Pereira. Logo que mudou-se para Frutal, seus pais se separaram. Seu pai, Joaquim Pereira, mudou para trabalhar na usina Frutal, como chefe de tratores e sua mãe trabalha como copeira em um Hotel. Sobre a família, o menino lembra com saudades dos avós Joaquim e Anita, que moram em Minas, e fala que uma de suas felicidades e ir visitá-los e ver sua família unida. Nas perguntas, quero abordar sobre sonhos. Conto a ele os meus e logo em seguida ele me conta os seus. Marcos diz, com muita empolgação, que tem um sonho de estudar em Paris e futuramente pretende ser comerciante, pois tem fascínio por carros e pretende ter uma loja. Foi a internet que despertou o interesse de conhecer a tão famosa capital da França.
Por fim, agradeço Marcos pela disponibilidade e ele vai em direção à loja de picolés entregar o carrinho e voltar para casa. Nossa reportagem não poderia terminar de outra maneira a não ser comprando um picolé. Minha escolha foi de milho verde, como forma de agradecimento. Logo em seguida, tiramos fotos. Ele pede para ver e fica satisfeito, mostrando, mais uma vez, tamanha humildade. Assim, percebemos que cada um, carrega consigo um carrinho com um conteúdo que nos move. No caso de Marcos, no começo o carrinho é repleto de picolés, no final, repleto de sonhos! No desfecho dessa história deixo com uma sábia frase de Che Guevara: “ Lutam melhor os que têm belos sonhos”.
merece uma menção no facebook!
ResponderExcluirShooow! Adorei o desfecho. Congrats Day, you'r doing a great! :) Keep up the nice work ;)
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